segunda-feira, 9 de abril de 2012

O LAÇO PERFUMADO DE UMA NOITE CÚMPLICE


O taxi mergulhou numa rua totalmente estranha aos olhos de Karlos. Mas era um estranho que estava deixando-o maravilhado, devido à beleza extrema e singular daquela ruazinha. Estreita, aconchegante e cheia do verde das árvores na calçada, aquela pequena rua seria telespectadora de uma noite de louvores e dramas.

Karlos estava ali para o sabor de um encontro casual. Sabia que a artimanha de valer-se da noite para promover esse fato fortuito, evitaria dissabores futuros e inconveniências irremediáveis. Portanto, armando de sua astuciosa veia de cuidado, ele atravessou a rua e rapidamente ergueu os olhos para visualizar a fachada azulejada do pequeno apartamento de Maria Luisa, a dama secreta daquela noite ímpar.

Quando foi subindo as escadas, um turbilhão de pensamentos veio de encontro a sua cabeça, mas quando suas vistas capturaram a silhueta daquela mulher, a sensação de bem-estar e prazer subitamente invadiu a alma de Karlos. Entrou no apartamento e sentiu uma saborosa mistura de odores virem de encontro aos seus sentidos e, depois de se embriagar de perfumes e essências, sentou-se no sofá. Ali, o diálogo andou como um trem vagaroso sobre trilhos quentes de uma cidade noturna.

Enfim, depois de uma conversa à luz âmbar de uma pequena luminária, eis que os lábios apreciaram o frio sabor da cerveja, que seria parte integrante daquela noite. Risos frouxos se externaram, brincadeiras simples apareceram. Penumbra. Mas estariam eles á sós? Onde estariam os fantasmas da noite? Talvez escondidos em algum mínimo lugar, trancafiados dentro de algum armário ou observando-os a espreita? Afinal, teriam os fantasmas participação naquela noite?

O sangue parecia ferver e correr demasiadamente rápido nas veias tanto de Karlos quanto de Maria Luisa. A madrugada era anunciada e o alvorecer logo daria as cartas para mais um dia de incessantes afazeres. E ali eles. Um passado distante os abraçava, um passado desenfreado voltava com tudo diante de seus olhos. Amantes! Antigos e indecifráveis amantes, doando um ao outro a parcela vivida de carinho, e fazendo bem a quem, quiçá, jamais deixou de querer fazê-lo.

No alto das horas e no berço da calmaria, duas faces se entreolharam na penumbra. A TV jazia ligada, em baixo tom, servindo de testemunha para o inevitável beijo que logo fez arder entre Karlos e Maria Luisa. Tocaram-se os lábios com a mesma delicadeza com que alguém manuseia algo de importante teor. Seus olhares se cruzaram em seguida, não havia como não recordar as fatias do passado. Mas os beijos continuaram, o calor do momento começou a ferver e a decisão de ir até o fim talvez servisse de escárnio para o desgostoso destino, revivendo um drama cruel e desaforado, porém sempre certeiro.

Caíram em confissões, abraços e canções. Carinho, sentimento de querer estar ali, junto, naquele instante eterno. As mãos acariciando toda a superfície da pele, os lábios beliscando a face, e o álcool descansando ao lado da cama.

O sentimento é bom, bebido com minuciosa calma, sem pressa. A conclusão, então, é recíproca: corre entre eles o elo eterno de cumplicidade.

As estrelas abandonaram o barco, e o sol subiu a bordo. Era a hora da despedida. Abraços, beijos, ânsia de alguma coisa ilógica. Na porta, entre o interior do prédio azulejado e a rua maravilhosamente linda, Karlos e Maria Luisa proferem o último beijo da noite. Uma ultima olhadela e a porta se fechou. O taxi o esperava.

O que restou da noite? Muito mais que uma noite, uma sensação prazerosa, uma vontade recíproca de estar junto e de querer o abraço e o beijo novamente. É, talvez sim... Maria Luisa entrou em seu apartamento, e Karlos no taxi. Não era a primeira, e não seria a última vez do encontro, disso até os fantasmas tinham certeza.

sábado, 24 de março de 2012

OLHOS VERDES PERTURBADORES


Aquele não havia sido um bom dia para Maylene. A carga excessiva de aulas e a árdua tarefa de corrigir provas e trabalhos simplesmente a esgotara. Para fugir da correria e dar a si mesmo um momento de descanso e calmaria, decidiu que encerraria as atividades da tarde em um café qualquer.

Escolheu uma mesa ao fundo, na janela. Lá fora a neve começava a pintar de branco o negro das ruas como estrelas a preencher o escuro do céu. Logo após fazer o pedido, a presença de um homem adentrando aquele estabelecimento chamou a sua atenção. Sua fisionomia era atraente, com ares de galanteador. Usava botas e vestia um longo sobretudo preto, cobrindo-o num mistério que tornava-se maior ao vislumbrar a sua bela face. Tinha cabelos curtos de cor acastanhada, boca grande rodeada por uma barba rala, por fazer. Porém, o maior segredo a ser desvendo naquele homem, residia em seus olhos, e foi isso que chamou a atenção de Maylene. Os olhos verdes perturbadores observavam com tal afinco que era capaz de hipnotizar qualquer um.

Presa àquele olhar, Maylene desviou o rosto, mas percebeu que ele havia sentado no balcão. Por vezes, ele a observava, causando-lhe certos calafrios. Assim que o pedido de Maylene chegou, o garçom se aproximou e parou a sua frente, bloqueando a visão que ela tinha do misterioso homem. O garçom extraiu do bolso um papel e estendeu para ela. Era um bilhete que trazia a seguinte mensagem:

“Eu teria mil razões para não escrever este bilhete, mas a sua beleza foi à única razão que me fez escrevê-lo. Gostaria de conhecê-la. Amanhã, mesma hora e local.”

Maylene olhou para o garçom, curiosa. Ele sustentou seu olhar e disse;

– Foi aquele senhor que me... – sua voz sumira de repente, assim como o homem misterioso que não mais fazia parte daquele ambiente.

Ela agradeceu, e depois disso a única coisa que conseguia perambular pela sua cabeça era aquele par de olhos perturbadores de um homem cujo mistério era intrigante.

No outro dia Maylene estava lá. Esperou ansiosamente por ele, em vão. O homem não apareceu. À noite, no mais pesado do sono, ela sonhara com ele. No sonho, ele entrava de mansinho em seu quarto, ostentando aquele olhar instigante. A meia luz, Maylene deixava se envolver por ele e beijava-o amavelmente. Em certo momento, quando abriu os olhos, ela encontrou no lugar daquele lindo par de olhos, dois buracos negros, duas órbitas vazias, escuras, de onde um liquido vermelho e mal cheiroso escorria até a boca, acompanhado de pequenos vermes.

Maylene despertou do pesadelo com um pulo, e perguntou-se o que era aquilo, quem era aquele homem que agora começava a invadir suas noites.

Por muito tempo o tal homem misterioso invadiu seus sonhos e pensamentos, até que um dia o som da companhia ressoou em seu apartamento. Ao abrir a porta, ela encontrou uma pequena caixa embrulhada num lindo papel de presente. Entrou e sentou no sofá da sala. Ali Maylene desfez o embrulho e abriu a caixa. Seu sorriso resplandeceu ao ver o que ali dentro continha um par de olhos verdes.

A letra, da correspondência era de Maylene, e o embrulho da caixa também tinha sido feito por ela. Ela desejou, para sempre, aquele par de olhos verdes perturbadores, então o que mais poderia fazer para tê-los para si?

O corpo do homem estava em algum lugar... Maylene foi capaz disso: matou o homem, arrancou seus olhos e colocou-os numa caixa delicadamente embrulhada. Por fim, enviou a correspondência para si mesma, e hoje tem como objeto de pecado e desejo, um belíssimo par de olhos verdes que guarda a sete chaves, num lugar onde somente ela sabe onde encontrar.

sábado, 10 de março de 2012

DOCE COMO MEL E ARDENTE COMO PIMENTA


Um dia desses, sentado em um bar e bebendo uma dose especial de uísque, me peguei pensando sobre alguns mistérios e armadilhas do destino, e lembrei-me de uma história, há muitos anos atrás, quando eu ainda era jovem.

Embarquei no ônibus praticamente lotado e percorri o longo corredor até a minha poltrona. Número 26. Quando me ajeitei no banco, olhei friamente para o lado.


– Está apertado por aqui, não é? – disse a voz ao meu lado.

Sorri, e ela me devolveu aquele que seria o melhor riso do mundo. Aparentava ter a minha idade. Seu rosto parecia ter traços desenhados. Madeixas louras caiam sobre os ombros, nos olhos uma pintura que retratava um olhar misterioso e atraente, na boca o vermelho sangue externava as garras num sorriso angelical. Seu nome era Chloé. Atraente, misteriosa e totalmente encantadora, de uma maneira que sempre desejei.

Trocamos algumas palavras ao longo da viagem, mas em algum trecho da estrada, comecei a perder toda a minha compostura e compreensão que até então estava tentando manter sob controle. Chloé me fez sair dos trilhos, assim como um trem desgovernado. A cada palavra, a cada olhar, eu me embebedava de seu charme e me tornava cada vez mais ébrio daquela mulher.

Em determinado momento, entramos em um assunto que definitivamente definiu o rumo da viagem. Chloé perguntou sobre o que eu achava de algumas coisas e prontamente me propus a responder. De imediato devolvi outras perguntas.

– Creio que temos mais coisas em comum do que imaginamos. Mesmos gostos, músicas, livros, cinema... – foi me dizendo. – Quando encontro pessoas com muitas coisas em comum comigo, costumo dizer que é uma armadilha do destino. É como se ele quisesse pregar uma peça, se é que você me entende...

– E isso é bom ou é ruim? – perguntei.

Chloé me forneceu um olhar massacrante, extraindo-me a noção das coisas.

– Depende – sorria maliciosamente. – Mas neste caso, em especifico, é bom.

No momento tentei fazer um jogo – mas hoje percebo que talvez nunca ninguém consiga jogar com ela. Fitávamos-nos a poucos centímetros do rosto um do outro.

– Isso me parece complicado...

– Não tem nada de complicado nisso – Chloé mostrou suas garras num belo riso.

O beijo aconteceu naturalmente. Era forte, intenso, provido de habilidades técnicas que talvez poucas mulheres soubessem usar. Chloé beijava com intensidade, vontade, força. Suas garras rasgavam minha pele e à medida que o ônibus andava, pra lá e pra cá, num balanço sem vim, nossos corpos se tocavam com malicia. As mãos percorriam cada linha do corpo e a vontade extrema de aproveitar um ao outro era evidente. Era um desejo ardente, insuportável. E foi nessa ânsia que ardemos em desejo, ali mesmo, no ônibus. Chloé sentou no meu colo, e a mulher que antes era doce como mel, agora se mostrava ardente como pimenta. Por fim, cochilamos abraçados.

Senti uma mão balançando meu ombro. Quando abri os olhos, avistei o motorista, que me informava que eu havia chegado ao meu destino. Imediatamente olhei para o lado. A poltrona da janela estava vazia! Onde estaria Chloé? Teria partido? Olhei para mim, olhei para o banco novamente e olhei para ele.

– Onde está a mulher que estava sentada aqui? Ela já desceu?

– Mulher? Ali? – o motorista apontou para a poltrona ao meu lado e riu. – Não tinha ninguém... A poltrona 27 veio vazia a viagem toda, desde onde você embarcou.

Sem entender, desci do ônibus. Na claridade de uma luz forte, observei que alguns fios de cabelo jaziam estampados na minha camiseta preta. Tirei um par deles e os observei. Eram louros. Pensativo, me perguntei: o que foi isso? Afinal, tudo não passou de um sonho ou Chloé seria uma peça fantasmagórica do destino?

sábado, 25 de fevereiro de 2012

TODO CARNAVAL TEM SEU FIM



O sol desponta preguiçoso, resplandecendo um alvorecer com cara de ressaca, como se a noite que passou deixasse um rastro de saudade. Agora, enquanto o sol lentamente demorar a despertar, passos leves e sutis caminham por entre uma ruela qualquer. O som barulhento dos tamborins, clarinetas e bumbos, que outrora construíam canções de alegria juntamente com trompetes e trombones, agora dão lugar ao silêncio seco e vazio de um dia em festa que já passou.

Ele anda na extrema solidão, os sapatos são a única canção que algum ouvido pode ouvir àquela altura da manhã. No corpo, a veste doce de uma fantasia que soube preencher as noites com felicidade. O homem, cuja relação entre ele e o que acabou de acontecer, não há de morrer tão logo, desce as ladeiras com seu chapéu na mão, cabeça baixa e ébrio de prazer e de furtivas lembranças e saudades. No chão, confetes e serpentinas se confundem com os sapatos velhos do homem triste que há poucas horas atrás jogava os mesmos confetes e serpentinas para o alto, num júbilo a mais nobre festa popular que, chamada de carnaval, sem que possamos pensar, sempre tem seu fim.


O bloco passou e a banda já tocou o samba empolgante que agitou os corações. Os beijos foram dados, as náuseas foram atropeladas e o ar que sempre levantou as multidões, agora acabou. Tudo acabou!

Assim, todo carnaval tem seu fim! Quer tenha sido bom, quer tenha sido ruim.

Na praia, no campo, sala ou salão, ruas e avenidas e até quem não saiu do chão. A festa do momo, do que bem quer e do que quer mal também, ao que pulou e correu e ao que em casa ficou, assim como quem nada quer.

Mas ele continua caminhando. Suas noites de alegrias, risos e alguma coisa a distrair a cabeça passaram. O colorido se foi, o sonho maravilhoso se foi e se foi também toda a multidão que por aqui já passou. A cabeça baixa traduz o sentimento que agora o completa: vazio. É como se algo faltasse. E de fato, falta. E faltará. Faltará a chuva de papéis, o samba-enredo, o batuque sem fim, a cerveja gelada na esquina, o ritmo acelerado dos sapatos ao dançar no tom, as damas, as chamas, as colombinas... ah, as colombinas, essas muita falta farão...

Lentamente o sol esbraveja-se no ar. A rua que até pouco tempo jazia escura, agora se preenche de luz, que acompanha com afinco os passos de mais um folião. E ele continua descendo rumo ao seu destino. Passos fracos, boca seca e talvez com os olhos quase se fechando, rendendo-se ao sono que está prestes a vir lhe pegar. Que seja assim o final da última noite de alegria... mas de repente, o coração tão curtido na folia, olha para o lado e descobre um casal, no portão de uma humilde casa. O moço, tão disposto, acaricia o lindo cabelo dela, que se rende encantadoramente aos encantos dele. Decerto acabaram de chegar em casa também, vindo do seu nobre carnaval, e assim então quisera Deus, que esse fosse o destino desse jovem casal. A moça o abraça e ele a surpreende com um beijo. Aos sons dos seus sapatos e olhando o que não queria, o pierrot se lembra da noite passada, e da colombina, que lembrar nem deveria.

O pierrot chora, foi-se ao longe o que lhe encantou... quisera ela um arlequim, numa noite sem fim? A lágrima escorrega, agora já passou o tempo de recordar.

Ah, se o carnaval fosse o ano inteiro! Mas, assim como a vida, ele não é pra sempre. O seu final, porém, até pode ser confundido largamente com uma morte, mas uma morte que faz ressuscitar a cada ano os gritos de canto em festa, de sons de orquestra, e de barulho de cortinas, quando se inicia uma nova peça.

Os sapatos silenciaram. Tudo acalmou. Dorme, descanse, afinal, o carnaval já terminou. Agora nasce um novo dia, um novo ano ressurge, tanto pra você quanto pra mim, mas quanto à folia, é inevitável dizer, pois todo carnaval tem seu fim.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

VARAL DE CABEÇAS


Ser motivo de piadas nem sempre é tão saudável assim, e é conhecendo a história de Beni McCarthy que se descobre que existem coisas mais horripilantes do que a gente imagina, e que quando pensamos que já vimos de tudo, a vida mostra que não...

Desde a infância Beni era chamado de “Cabeção” pelos seus colegas. No inicio de sua vida, ter esse apelido não o incomodava, mas com o passar dos tempos alguma coisa fez com que essa brincadeira começasse a perambular sua mente e a incomodá-lo por completo. No ensino médio, o apelido Cabeção era freqüentemente ouvido pelos corredores da escola, e Beni começava a perder a paciência. Gordo, com poucos amigos, e com uma cabeça relativamente grande, ele apenas absorvia aquele apelido sem fazer nada, retraindo uma raiva e uma súbita vingança.

Certo dia a porta da sala do delegado Max foi aberta de repente. Um dos policiais informava que um corpo tinha sido encontrado sem a cabeça na escola municipal. As investigações começaram naquele exato momento. Três dias depois, uma professora da escola entrou na sala de aula e se apavorou com o que viu. Outro corpo sem cabeça estava caído próximo ao quadro negro. Ela imediatamente chamou a policia. Porém, o mistério dos corpos sem cabeça não parou por ai. Em menos de três semanas, cinco corpos foram encontrados sem cabeça. Era um enigma que os intrigava.

Quando um sexto corpo foi encontrado, outro mistério começou a perambular pela cidade: o jovem Beni McCarthy estava desaparecido há alguns dias. Um turbilhão de dúvidas começou a pairar pelo ar, e no meio das investigações, um professor relatou que Beni era chamado de Cabeção pelos colegas, fato este que até então era desconhecido pela polícia. Os pais do garoto não conseguiam entender o porque...

Numa manhã de outono, o delegado Max conversava com uma senhora que relatava a ele que, na noite anterior, vira um menino perambulando pelas ruas e que parecia ser Beni. A conversa parecia importante para o caso, quando de repente um policial abriu a porta da sala, informando sobre mais uma peça no quebra-cabeça.

– Delegado – o policial parecia ofegante –, mais um corpo foi encontrado sem a cabeça essa manhã. Estava perto da velha usina, num terreno baldio, esquina do Luts.

Luts era um dos bares da cidade. Intrigado, Max olhou para a mulher.

– Foi próximo ao Luts que você supostamente viu o menino?

– Sim, delegado, foi próximo a esse bar mesmo.

Max dispensou a senhora e as investigações foram retomadas. À noite, porém, um telefonema anônimo perturbou a noite do delegado. Do outro lado da linha, uma voz fantasmagórica indicava um local, e dizia que lá o mistério chegaria ao final.

Rapidamente Max mobilizou todo o seu pessoal e correu para a usina. Várias viaturas foram para lá, e assim que chegaram, começaram a procurar. No final da ala leste da construção abandonada, um policial viu um bilhete pendurado na parede. Nele lia-se: olhe para a direita. Todos viraram. Foi arrepiante! O que viram foi um varal de metal, estendido de uma coluna a outra. Penduradas nele, em vez de roupas, estavam todas as seis cabeças que haviam desaparecido junto aos corpos. Era uma cena assustadora. As cabeças foram reconhecidas, e chegou-se à conclusão de que pertenciam a todos os corpos encontrados. Mas tudo aquilo deveria ter um motivo...

– Quem fere será ferido... aí está o resultado pelo que eles me fizeram.

No segundo andar, acima das cabeças, estava o jovem Beni McCarthy, todo sujo, parecendo um indigente. O pessoal tentou convencê-lo a descer e se entregar, mas não adiantou, essa seria a sua sentença. Do teto central da usina jazia amarrada uma corda grossa que ia ao encontro de Beni. Ele não disse mais nenhuma palavra, simplesmente firmou a corda em seu pescoço e deu o passo para a morte. Todos ficaram boquiabertos. Beni, depois de matar seis jovens, arrancar suas cabeças, pendurá-las em um varal de metal, agora terminava com sua vida. Suicidara-se de forma triste.

O corpo do jovem McCarthy balançava como um pêndulo no centro da usina.